A grande fase da imigração teve seu início após a Unificação Italiana, finalizada em 1870. A Itália estava politicamente unificada, mas o povo encontrava-se em estado precário explorado pela minoria da classe alta. A Guerra da Unificação, que desgastou e empobreceu a Itália, foi sentida principalmente pelos camponeses que, sem dinheiro, viviam em situação cada vez mais difícil.
Enquanto na Itália o sistema econômico expulsava o homem do campo, no Brasil a política era inversa. Em São Paulo, por exemplo, os imigrantes italianos eram levados a fazendas do interior, onde trabalhavam em condições inferiores às dos escravos negros. Esses imigrantes tornaram-se submissos aos grandes fazendeiros, pois não dispunham de condições financeiras para sair das fazendas.
Urussanga teve início quando o criador de gado e capitão de ordenanças da Vila de Laguna, Manuel de Souza Porto, após ter perdido suas reses, resolveu seguir em direção ao sul para desbravar terras desconhecidas. Com autorização régia, chegou por rio, até um vale nas margens do rio Urussanga e, por ordem da Coroa Portuguesa, em junho de 1711, recebeu as terras de “Sesmaria”.
Em 21 de novembro de 1876, o engenheiro agrimensor Joaquim Vieira Ferreira foi designado para levar os imigrantes italianos, procedentes principalmente da região de Vêneto, norte da Itália, para conhecerem a nova terra. Depois da dolorosa travessia pelo oceano, chegavam os imigrantes pela costa brasileira de Santos, levados a Florianópolis e dali foram encaminhados para Laguna. De Laguna, através de pequenos barcos, desembarcavam em Morrinhos. De lá, foram encaminhados para o atual município de Tubarão, inclusive para a região que hoje corresponde ao município de Urussanga. Os assentamentos das famílias nos lotes do núcleo daquela colônia foram ocorrendo com muita lentidão, dado a precariedade de penetração na mata. Os lotes rurais entregues aos imigrantes mediam em torno de 25 a 30 hectares e se tratavam de matas virgens, inexploradas.
No ano de aproximadamente 1880, o núcleo de Urussanga era constituído por 197 famílias italianas, contando com meia dúzia de casebres e a igreja em construção. Também contava com uma ferraria hidráulica, de construção simples, situada às margens do rio Urussanga. As primeiras indústrias construídas foram moinhos, engenho de açúcar com alguns alambiques e atafonas.
No mesmo ano foi iniciada a construção da Estrada de Ferro de Imbituba a Lauro Müller, projetada para possibilitar o transporte do carvão das jazidas de carvão de Lauro Müller para o porto de Imbituba. Esta obra absorveu muita mão-de-obra, melhorando as condições de vida dos colonos e despertando interesse para novas imigrações oriundas da Itália.
Em 31 de dezembro de 1881, Urussanga foi emancipada de Tubarão e, em 1895, elevada a sede de Distrito de Paz, sendo que cinco anos depois, em outubro de 1900, elevada à categoria de Vila e Município.
Urussanga destaca-se até hoje pela tradicional produção de vinho, destacando-se também atividades industriais na área de cerâmica, plásticos, móveis e alumínio.
A cidade conta com uma grande bagagem cultural, mantendo a difusão de valores étnico-culturais do povo urussanguense através de folclore, usos e costumes e gastronomia típica; além de contar com um precioso conjunto arquitetônico urbano e nucleações rurais da época da imigração, que retratam as primeiras moradias sólidas dos colonizadores.
Através de levantamentos feitos no estado pelo IPHAN e pela Fundação Catarinense de Cultura, detectaram-se três correntes européias influentes em Santa Catarina: Luso Brasileira (São Francisco do Sul, Laguna- tombamentos federais); Teutro Brasileiras (São Bento do Sul, Joinville, Blumenau); Ítalo Brasileira (Urussanga, Nova Veneza, Pedras Grandes). Nessas cidades com maior destaque na arquitetura européia, foram tombados núcleos e edificações isoladas tanto no meio urbano quanto rural, e são documentos vivos da história da colonização e cultura do Estado de Santa Catarina.
Urussanga caracteriza-se como o conjunto urbano de referência da imigração italiana mais íntegra e mais representativa do Estado. O centro de Urussanga é o único acervo de arquitetura urbana de colonização italiana tombado pela Fundação Catarinense de Cultura, no Estado de Santa Catarina. São edificações de uso residencial e comercial, de estilos ecléticos, sendo que algumas delas apresentam nítidas características do estilo e técnicas da arquitetura italiana. A proteção estadual no município de Urussanga vem preservar o legado do imigrante ítalo-brasileiro nas dimensões urbana e rural.
Na área urbana o valor patrimonial encontra-se sedimentado na praça principal, núcleo original, espelho da miscigenação ocorrida com a forma luso-brasileira de construir, influenciada pelo centro regional que foi Laguna. Referencial urbano de grande importância para as relações sociais da população local, a Praça Anita Garibaldi concentra ao seu redor, os elementos históricos formadores da ocupação inicial de Urussanga. São edificações do final do século XIX e início do século XX, que se distribuem harmoniosamente, resguardando uma escala humana e paisagem ambiental urbana qualificada. Os imóveis representam as diversas fases de ocupação da área central de Urussanga, conferindo à Praça Anita Garibaldi e adjacências, uma paisagem única no cenário catarinense.
Embora de caráter singelo, a arquitetura traduz um quadro evolutivo, que vai desde unidades expressivas da cultura italiana como os sobrados austeros com enquadramentos de pedra, passando por unidades próprias do ecletismo, com ornamentos, arrematadas por platibandas balaustradas. Mesmo apresentando esta heterogeneidade de linhas arquitetônicas, o conjunto de edificações possui uma volumetria e um gabarito ainda uniforme, sendo a praça o agente conformador deste espaço urbano, palco da vida social em todas as suas dimensões.
Entretanto, é na área rural que se encontram a mais genuína representação da forma de construir dos imigrantes italianos. São casas térreas e sobrados de pedra rebocados ou não, na sua maioria localizados ao longo de estradas que ligam os municípios de colonização italiano no sul do Estado.